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Fonte: Roberson Junior / imagenshack  Nem vou comentar a palhaçada a que assisti, onde todos estavam errados. Alonso por dar um 'piti' no rádio exigindo que a equipe ordenasse a Massa que o deixasse passar. A Ferrari por ter decidido quem venceria interferindo na disputa esportiva. E Massa por ter jogado sua dignidade no lixo e acatado sem reclamar as ordens.
Ressalvo que o jogo de equipe é até admissível na última ou na penúltima rodada, quando o título está em jogo. Normal. Mas na metade do campeonato e sem qualquer chance de conquista é manipulação de resultado.
Entretanto, queria chamar a atenção para duas coisas.
A primeira é o comportamento do piloto espanhol. Mais uma vez ele deixou claro que não mede esforços para vencer, mesmo que tenha de atropelar a ética, as regras ou seus semelhantes. Tal e qual Cingapura, ele não se importou de utilizar de estratagema ilegal para alcançar a vitória. Ressalto que achei patético, digno de criança mimada o ataque de pelanca que ele deu no rádio exigindo que a equipe mandasse inverter as posições. Infelizmente, foi atendido.
O segundo é a punição que a equipe recebeu, uma multa de US$ 100 mil - irrisória para os padrões da categoria. O recado é claro: pode combinar resultado a vontade, trapacear a vontade, que não haverá nenhuma punição mais dura. Ou seja, na Fórmula 1 o crime compensa.
No mínimo, mas no mínimo mesmo, Alonso e Massa deveriam ter sido desclassificados. O ideal seria isso acontecer e mais a Ferrari ser suspensa por duas ou três etapas, mas a lógica - torta - é de que a ética não pode atrapalhar os negócios. E a marca Ferrari é muito forte, né ?
E esta constatação leva a outra reflexão: o quanto o conceito de "sucesso" está desconectado de valores como ética e dignidade. Para ser bem sucedido e ganhar dinheiro vale tudo, vale atropelar a ética, jogar a dignidade no lixo, reduzir o semelhante a pó.
Mais grave ainda é perceber como estes comportamentos são replicados na sociedade, por serem arquétipo reproduzido pelos meios de comunicação e pela publicidade. Se Fernando Alonso se comporta como uma criança mimada e chorona e é atendido, a tendência é de que as pessoas tendam a se comportar assim para alcançar os seus objetivos. É necessária uma contrafação muito forte por parte de educadores e pais de forma a não tornar este comportamento um padrão.
Infelizmente, pelo o que observo, estamos perdendo a guerra. Cada vez mais a sociedade é mais individualista, menos ética e menos digna. Preocupante.
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